A Política Brasileira e
os Rumos do País após a Eleição

Por que esperar a partir de 2027
saberemos em 25 de outubro

Em 5 de outubro de 2026

O primeiro turno da eleição de 2026 aconteceu, e com ele todo o legislativo foi eleito para os próximos quatro anos, já nele também grande parte dos cargos do executivo para governador dos estados. Politicamente o cenário mudou quase radicalmente com a derrota dos partidos de esquerda em sua maioria e, sobretudo, a do PT. Qual leitura já se pode dele fazer? Acreditar que a derrota da esquerda ocorreu por outras razões do que a insatisfação social generalizada com o partido e seu candidato à reeleição para presidente tende a obliterar a realidade brasileira e minimizar ainda mais o condão da vontade popular. A percepção geral e do partido seria de que economia fraca, desemprego grande, custo de vida alto, juros exorbitantes, famílias endividadas, fenômenos climáticos, empresas com problemas de caixa, relações externas e soberania, exploração do potencial das terras raras, comunicação falha do governo sobre seus empreendi-mentos e conquistas durante o período dentre outras razões influenciou o resultado do pleito. Deve ter, além dos casos Banco Master e STF, influenciado, agora outras questões políticas estão sendo assim olvidadas, omitidas ou minimizadas para justificar candidaturas e partidos derrotados, parcial ou totalmente, na eleição, como veremos.
No Brasil, e também em outros países, o eleitor ainda tem pouca participação e formação políticas, o que se entende dado a situação da educação brasileira e nível educacional do povo. E isso ocorre, porque a população se embate v.gr. ainda sempre com problemas básicos de manutenção da sobrevivência de tal modo que o grau de conhecimento e a possibilidade de reversão do quadro diminui mais. Vale por isso mesmo lembrar de que a transformação desta realidade brasileira pela educação a longo prazo acontece, uma vez que se trata de um processo demorado a pouco e pouco feito em escolas e universidades a partir da satisfação das condições de possibilidade. E uma delas está no fundamento de tudo, a saber a família. A essa faltaram durante anos as condições de vida e aquilo por que se entende tal termo em uma sociedade organizada e formada segundo bons costumes e cultura do seu povo de tal modo que sucedeu o ciclo vicioso eleitoral. Esse se manteve em razão da continuidade do status quo da sociedade brasileira, a despeito das mudanças e conquistas obtidas por governos de esquerda, persistente, e se fixou na mentalidade do povo como a regra. Assim é que a regra virou exceção, isto é não se vota em um candidato, senão contra o outro para evitar o pior. A razão da quantidade de votos nulos, brancos e de abstenções nestas eleições corrobora essa lógica perversa, ainda que negativamente se revela nesses casos. No atual contexto político do Brasil parece-nos bem compreensível faticamente.

A eleição de 2026 que se encaminha no dia 25 de outubro próximo para o final completo pode comprovar o que se podia já anteriormente ler dos acontecimentos da realidade brasileira desde o golpe de 1964. À população ainda são carentes projetos de governo diferenciados com que pode sem risco de alienação da soberania nacional de fato escolher livre qual o mais realista e transformador para o país. Constata-se sem dificuldade que o eleitor se depara no pleito atual para a escolha do presidente explícito com duas propostas diametralmente opostas. Por si só se constata também que divergem em pontos fundamentais, como por exemplo a condução da política externa do governo e a exploração dos recursos naturais. Em benefício do Brasil ou de Estados estrangeiros? A população ainda carece de projetos distintos para o país que poderia escolher, sem prejuízo da sua liquidação, um ou outro na vigência da democracia. A essa é imanente a rotatividade do poder que é salutar para qualquer país democrático, porque se candidato e partido governantes não cumpriram com suas promessas de campanha no período de governo eleito é benéfico poder escolher outro projeto que representem candidato e partido na eleição vindoura, sem que se incorra no risco da instabilidade política prejudicial à continuidade do Estado democrático de direito dentre outras mazelas suscetíveis.
Ocorre ainda sempre na realidade política da sociedade civil brasileira é a alienação de sua participação na construção nacional do seu país. O assunto é complexo, todavia a política partidária como está sendo travada há muito tempo no cenário eleitoral tem prejudicado a conscientização popular para um maior engajamento político seu. O povo entende ainda sempre por política a politicagem dos políticos que se elegeram por causa das vantagens pessoais para si oriundas do cargo (Os gastos públicos pessoais de cada deputado federal no Congresso Nacional, direita ou esquerda, são exorbitantes!). E os partidos de esquerda também não tem contribuído para a necessária mudança da sua mentalidade, à medida que reiteram comumente o mesmo erro que impõe uma visão dicotômica onerosa, arraigada a esta realidade política, ou seja os outros fraudam, corrompem, subornam o eleitorado pela compra de votos e outras ações semelhantes típicas deste modus operandi, ao passo que o outro lado não recebeu merecidamente o aval da população na eleição pela qualidade de sua governança, visto que não souberam, por uma comunicação falha e/ou equivocada do partido, mostrar à população benefícios e vantagens do seu governo a toda a sociedade.

É uma leitura no mínimo questionável sobre a realidade e cenário políticos que se infere da esquerda sobre a direita, e pode custar a ela ainda mais caro, se perder a disputa para presidente no próximo 25 de outubro, até porque teria, mesmo conseguindo a façanha da reeleição do atual presidente, dificuldades ingentes para governar em uma democracia em que não terá, ou fazendo concessões atrozes no Parlamento, a maioria para continuar a seguir com as reformas sempre ainda indispensáveis ao país, de jeito que não se ande de avanços e recuos a cada nova eleição respet. governo eleito. Lê-se nos jornais o candidato em segundo lugar ter dito que é bom no ‘mata-mata’. A soberba do candidato e a miopia do partido em não reconhecer a insatisfação social generalizada do ponto de vista político, afinal se tem quase seis milhões de brancos e nulos dizendo categoricamente nem um nem outro, os candidatos de Avante e Missão, chegando a mais de seis milhões de votos, declarando bombasticamente a mesma vontade de não apoiar nem um nem outro tirante mais de trinta milhões de abstenções (TSE 33.469.244). Ainda assim não conseguem reconhecer a situação crítica, em que se acham, e o trabalho hercúleo de convencimento em apenas três semanas para sonhar com a sua reversão a despeito do fato de que desses milhões só bem poucos votem no candidato da direita.
Então até ao segundo turno com a decisão popular sobre a realidade política brasileira para os próximos quatro anos. Provável é que a percepção política tenda a não progredir de tal modo que a mentalidade consequentemente continuará ainda sempre alienada sobre a necessidade da rotatividade do poder, ou melhor um mandado de quatro anos e uma reeleição apenas de um único e mesmo candidato em se considerando governantes e legisladores. Se chegaremos a sua implemen-tação na legislação eleitoral, é de se duvidar a curto prazo. O realista, mas não certo, é que teremos a partir de 2027 mais um e o maior país da América Latina alinhado-se em sua política externa com os interesses dos Estados Unidos. O Congresso Nacional por sua vez estará à poderosíssima influência ianque sujeito cujo risco pertinente à exploração dos recursos naturais em prejuízo do Brasil, por exemplo, já está latente, esperando apenas pelo tempo da sua concretização dentre outras ações vindouras.

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